Refúgio
todos os dias vai um pouco de mim, fica um pouco de cada um.
06 Março 2011
não sabes [e nunca saberás] o quão dói, tudo isto, na tua ausência.
08 Novembro 2010
as saudades que deixaste.
Um segundo para serem horas certas. Um ponteiro mais acelerado ultrapassa outro. As horas vão passando desde aquela em que nos deixaste. Tem estado sol e chuva, calor e frio. Hoje parei à frente da escola, onde nos costumávamos cruzar, eu vinha do almoço e tu ainda ias almoçar. Vi miúdos a correr, também eles iriam almoçar. As saudades que deixaste não cabem nas suas mochilas. Nem no sitio onde te colocaram. As tuas piadas ficaram no nosso ouvido, às vezes contamo-las. Rimos um bocado e o silêncio instala-se. Falta a tua voz. Perder-te foi perder um bocado de todos nós, um vazio que se tem preenchido por tantas memórias. Ficou tanto de ti. Ontem, o Benfica perdeu com o Porto! Parece que estou a ver a tua expressão de desilusão. As pessoas comuns dizem que tudo continua igual: as ruas, o largo, as pessoas, o café, a praça, a marginal… Diriam que de novo só o facto de o circo ter chegado à vila. Mas desde aquele dia, amigo, tanta coisa mudou. Sentei-me várias vezes à espera de conseguir escrever algo. Pronunciei na minha mente o teu nome e falei contigo. Sabes? Teríamos dado um pouco de todos nós para continuar a ter-te por completo. Salvar-te-íamos a vida se soubéssemos como. Todos se lembram de ti, na verdade ainda não te foste. Nunca irás! Estás em todo o lado, há um local especial em todos nós onde te colocaste. Mais à direita ou mais à esquerda, mais acima ou mais abaixo. Depende do tamanho de cada um de nós. Seria tão melhor se esse local fosse naquela esplanada, na cadeira à nossa frente. Um dia, uma semana, duas semanas, três semanas, meses, anos vão passar. Alguns vão envelhecer, outros vão crescer mas tu permanecerás jovem e baixinho. Disseste-nos que estarias sempre aqui para nós e nós prometemos o mesmo… E assim será! Encontrar-nos-emos sempre naquele local onde, aí sim, permaneceremos sempre juntos.
17 Outubro 2010
Como é bom amar.
Frases sem sentido, inaudíveis entre linhas e carris. Sorrisos e gargalhadas desconhecidas. Os bancos enchem-se de pessoas incógnitas, faces pálidas. Nada me dizem, estes rostos. Passam homens e mulheres, apaixonados e descomprometidos. Como é bom amar, se o amor for aquele banco onde ninguém se senta. Fico comigo mesma, que já nem a tua ausência está presente. Porém, ainda me fazes falta. De todos aqueles que conheci, de todos os que beijei, de todos os que fiz amor, de todos os que me apaixonei, contínuas a ser o que me faz falta. Desculpa a minha vulnerabilidade. Os anos passaram meu amor e é urgente voltar a amar. Voltei a viver com todos eles, como se o mundo tivesse sido criado só para mim. Fizeram-me feliz por instantes. Depois, todos eles me abandonaram, e eu deixei! Nunca lhes disse que os amava porque não o soube. Como é bom amar, se o amor for nos apaixonarmos um bocadinho por cada pessoa. Não dói acabar, dói não recomeçar. Porque em cada minuto após as suas partidas, vem a dor tremenda da tua ausência. Como é bom amar, se amar for um olhar destemido à mesa, durante a refeição. Como é bom amar, se amar for ouvir todos os nomes e só um ficar na memória. Como é bom amar, se amar for sorrir ao saber noticias tuas. Como é bom amar, se amar for saber que estás feliz e de bem com a vida. Como é bom amar, se amar for só contigo.
30 Junho 2010
ficará sempre para mais tarde.
Às vezes não sentimos nada, à força de pensarmos tanto. Uma esquina vazia outrora preenchida de gente. As certezas são vãs. Assemelho-me àquele velho entediado. Àquele velho que não sabia o que queria. Àquele velho que não tinha nada para fazer. Àquele velho que nada tinha para pensar. Àquele velho que não sabia o que sentir. Àquele velho que não sabia o que saber. E eu que o invejava! Um dia, mais tarde, cruzar-nos-emos. Dirás um “olá” e eu retribuirei com um sorriso [que isso nunca me falte] Depois guardarás dez minutos na algibeira e eu outros dez. Vinte minutos perfeitos em que vamos rir, falar, lembrar as manhãs, tardes e noites, gritar o nome de uma qualquer pessoa que nos acabamos de lembrar, descrever o locais e dias. No fim haverá um momento de silêncio em que vamos prometer entrar em contacto, um outro dia. Acenas-me com a mão e levarás em ti mais um pouco de mim. Tudo o que vivemos ficará nas nossas memórias, incapazes de fazer voltar atrás e preguiçosas de fazer acontecer outra vez. A distância vai-nos separar e não é a física, essa seria mais cómoda. As ruas enchem-se de pessoas, cruzam-se olhares, respirações, angústias, odores e pensamentos. Eu continuarei o meu caminho e contarei os anos que passaram. Tu pararás mais à frente, à espera que mais alguns anos te atropelem. Empurraremos as memórias e lembrar-nos-emos de quando nos sentávamos na mesma mesa, de quando conversávamos sobre os mesmos assuntos, de quando caminhávamos nos mesmos corredores, de quando tínhamos a mesma rotina, de quando gastávamos mais do que vinte minutos em conjunto. Quando olharmos paras as fotografias e recordarmos os tiques de cada um, seremos apenas os “amigos do passado”. O que vivemos nunca será o suficiente e acabaremos incompletos, incumpridores, desonestos e incompetentes por jurarmos amizade eterna quando, nem tu nem eu somos imortais.
Já dizia aquele velho.
08 Abril 2010
por favor, não vás!
por favor, não vás!
17 Fevereiro 2010
Oxalá soubesses que dormes comigo todas as noites.
Folhas brancas, vazias sem ninguém as preencher. Assim tem sido durante tempos e tempos. Várias canetas pousadas. Tinta preta que seca, uma tampa perdida num qualquer canto. Nem uma virgula ou um ponto a acrescentar. Sílabas soltas que não se unem, verbos sem conjugação. As palavras congelam na garganta, está tanto frio lá fora! As pessoas são como peças naquele tabuleiro. Brancas e pretas. Altas e baixas. Gordas e magras. Jogam umas com as outras, oxalá soubéssemos jogar xadrez. Fico por casa com teorias e teóricos encontrando explicações para os efeitos e influências através de correntes e abordagens, sociológicas e psicológicas. Manuscritos, linhas de cada cor e sublinhados. Um copo meio vazio ao lado de um bloco de linhas vazias. Um cigarro por acender, um isqueiro enferrujado. Se ao menos soubesses o quão custa a acender, como folha de plátano no orvalho da neblina da manhã. Aproximas-te. Símbolos e outros tantos caracteres iluminam-me o olhar, consegues descodificá-los? Verdes e castanhos, retina banal como todas as outras. O sol corre para oeste. Do outro lado alguém acorda, os minutos espreguiçam-se num tom irritante. Dizes “até amanhã”. E nesse espaço de tempo és como o sol, num outro qualquer lugar onde não o avisto, com outro alguém que não conheço, passando por ruas por que nunca passei. Valerá a pena pagar a conta? Despe-te e vem-te deitar ao meu lado. Digo “boa noite”. A escuridão cega-nos os olhos, porque a mente não cega. Estás ai e consigo sentir-te. Aproxima-te, abraça-me na vertical. Um céu azul claro que partilhamos. Chegas do lado oposto àquele que te despediste, “Bom dia!”.
Oxalá soubesses que dormes comigo todas as noites.
22 Outubro 2009
life is about two gates.
21 Outubro 2009
30 Maio 2009
Remexo-me
26 Fevereiro 2009
Um mês depois...
A saudade é vossa! [ cliché: vocês sabem quem são]
Post scriptum:
Um dia, muito antes de tudo isto acontecer alguém me disse:
" Isto nao é dificil. Liçao nr 1: Pensar SMP "EU CONSIGO". Liçao nr 2: "EU CONSIGO ADAPTAR-ME, EU CONSIGO SUPERAR, EU TENHO DE ALCANÇAR OS OBJECTIVOS" Liçao nr 3:"Eu fui escolhida no meio de tanta gente por que motivo?".Liçao nr 4:"Se eu fui escolhida é pq mereço este lugar". Liçao nr 5: "É uma experiencia q me: 1. fará crescer; 2. fará de mim uma pessoa melhor; 3. enriquecer o meu curriculum; 4. irá distinguir num meio competitivo como este; 5. fará abrir e conhecer novos horizentes; 6. ter uma perspectiva da vida e do mundo mais alargada. Os pensamentos sao estes."
Copy past perfeito ;) Obrigada